LIVRA-ME, SENHOR, DE MIM!
Ana Trajano
Um dos Santos mais queridos por sua mensagem de paz, São Francisco, do mesmo modo que pedia: "Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz, também rezava: "Ajuda-me, Senhor, a vencer a mim mesmo." Fazia eco assim a São Bernardo de Claraval que, em seu Tratado da Consciência ou do Conhecimento de Si", pede: "Ajuda-me, Senhor, a livrar-me de mim mesmo".
Ambos sabiam que seu maior inimigo estava dentro de si. E é assim com todos nós. Nosso maior inimigo somos nós próprios. As duas coisas - a paz e o vencer a si - estão relacionadas: só se conhece a paz quando se vence a si; ninguém se torna instrumento de paz sem antes vencer aqueles que lhe causam guerra.
Nosso coração é morada de Deus, é seu castelo, seu templo e, como tal, é atacado pelos inimigos de Deus, isto é, todos os maus sentimentos e más tendências que se opõem a Ele. Nossa maior luta, portanto, trava-se neste terreno sagrado que é nosso coração. São dois exércitos lutando por seu domínio: o das virtudes e o das más qualidades; em resumo o do bem e o do mal, o da luz e o das trevas.
É assim desde que decidimos abrir as portas a esse exército inimigo, opondo-nos ao Criador. Nossa atração pelo que de aparentemente belo e gostoso nos oferece o mundo só faz crescer a ação e as vitórias do exército inimigo.
Jesus travou essa queda de braço com aquele que representa o exército das trevas - o diabo - e venceu. Venceu porque venceu assim naqueles 40 dias de luta no deserto.
O exército inimigo tem um forte comandante - o orgulho. Todos os seus soldados (más qualidades) são como que extensões ou braços dele. Nosso mestre mostrou que para vencer a soberba desse comandante há um comandante da Luz milhões de vezes mais poderoso que ele: a humildade. São Francisco venceu a si quando conheceu a humildade. O que parece grande é vencido com o que parece pequeno.

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