terça-feira, 3 de abril de 2012

Violência midiática: fiscalizar não é censurar
Ana Trajano

Voltando ao assunto da violência midiática, podemos refletir: qual a causa? O controle é possível? Jornalistas e cientistas sociais são unânimes na resposta: o problema é a falta de regulação do que é produzido pela mídia, no caso específico aqui discutido a televisão. Fato é que sem ela, o país tornou-se terra de ninguém, no qual a permissividade tem o mesmo tamanho da falta de fiscalização, e esta é confundida com censura.

Identificar a fiscalização com a censura tem sido prática muito bem utilizada pelos empresários brasileiros da área de comunicação e que, como se percebe, tem surtido efeito. “Esta é a operação ideológica mais presente no discurso do empresariado desde os anos 80,” afirma a jornalista e socióloga Maria Eduarda Rocha, em depoimento ao documentário “TV Alma Sebosa”, já citado em texto anterior, aqui neste blog.

O Estado, na sua opinião, não pode se omitir, tolerando a veiculação de todo tipo de mensagem, e necessita, o quanto antes, discutir essa regulação. “Não é a democracia que está sendo ameaçada quando o Estado intervém dessa forma; muito pelo contrário. Nós temos que pensar que quem tem que assumir os interesses coletivos é o Estado e a sociedade civil. Se depender das empresas de comunicação elas só o farão como uma resposta, quando forem pressionadas a isso”, afirma.

Não há possibilidade, ainda de acordo com ela, da democracia institucional no Brasil ser ampliada, transformando-se numa democracia de fato, sem a democratização da mídia. “É uma espécie de reforma agrária das ondas eletromagnéticas o que temos de produzir agora.”

A mesma opinião tem o jornalista Ivan Morais, em depoimento no mesmo documentário, para quem o concessionário de um canal de rádio ou TV tem compromissos com a sociedade, e para que estes sejam efetivados precisam passar pela regulamentação que pode ser feita de várias formas. “No Brasil, as leis que regulamentariam esse exercício do controle social jamais existiram”, enfatiza.

Mas o que é fiscalização e o que é censura? Há algo de comum entre ambas que possa confundi-las, a ponto de o empresariado recorrer a essa artimanha sempre que se lança um olhar sobre a necessidade da regulação? Não há nada em comum. São ações completamente distintas. Vejamos o que diz o professor e doutor em Comunicação pela Usp, Magno Medeiros da Silva, em “Teoria das Violências, Mídia e Direitos Humanos: ”Censura constitui uma ação coercitiva, repressora, uma violência a inalienável á liberdade de expressão e de imprensa. Fiscalizar constitui um ação de cidadania, um exercício da democracia, na medida em que a própria população vai redefinindo permanentemente os limites éticos que regem as interações e contradições sociais.” “Censurar nunca; fiscalizar sempre”, conclui.

No mesmo trabalho, Magno sugere como estratégias para a construção da cultura de paz e dos Direitos Humanos, os seguintes pontos: debate público e ações políticas, envolvendo os vários segmentos sociais; desenvolvimento de códigos de conduta profissional e empresarial; e educação face a mídia, objetivando formar receptores críticos, competentes e de refinada consciência ética e estética.















terça-feira, 27 de março de 2012

Violência midiática expõe relação entre classes

Ana Trajano

A violência midiática, que alimenta com sangue os programas vespertinos, longe de representar apenas um filão bastante lucrativo, do ponto de vista dos índices de audiência, descoberto pela televisão, expõe, sob a ótica dos fenômenos sociais, as faces da luta que se trava entre as classes dominante e dominada. Vale lembrar que os veículos de comunicação pautam-se, sobretudo, por interesses políticos e ideológicos. E são tantos os abusos cometidos, e tão pouca, ou nenhuma, a legislação que regule a televisão que fica a pergunta: por quê será?

Os “mass media”, ou meios de comunicação, particularmente a TV, na verdade apropriam-se da cultura da violência para, com base nela, montar seu espetáculo. Nesse contexto, a violência já não é mercadoria oferecida apenas pelos vespertinos aqui em discussão, mas as novelas, e até os infantis, estão recheados dela. E interesse político e ideológico, no caso específico da programação policial, está exatamente em mostrar a violência pela violência, sem nenhuma discussão, ou questionamento sobre suas causas.

“É a transformação da vida humana no espetáculo da carnificina, sem nenhuma discussão política ou sociológica. Só o circo humano no seu pior formato”, compara a professora Malena Contrera, doutora em Comunicação, em depoimento no documentário “TV Alma Sebosa”, projeto de conclusão de curso na Unicap (Universidade Católica de Perbambuco). Vale salientar que escrevi este texto inspirada no documentário, e todos os depoimentos que utilizei para ilustrá-lo fazem parte dele.

Se lançássemos outro olhar para enxergar além das câmeras veríamos a sutileza que há por trás das imagens captadas pelos programas policiais. De um lado a mídia, poderoso instrumento nas mãos da classe dominante, utilizando-se de deplorável narrativa para estigmatizar as classes que literalmente considera “baixas”, sem nenhum valor, quanto ao poder aquisitivo e cultural.

Vejamos o que diz a professora Malena.“Também é uma tentativa de estigmatizar a classe pobre como “classe pobre”: a classe pobre é sinônimo de violência, de baixaria, não tem nada que preste. Só consegue alguma ascensão através da música, do Funk, do Raggae. Ou seja, é uma maneira de manter cada classe no seu lugar.”

Por outro lado, estão as classes menos favorecidas buscando nesses conteúdos o meio através do qual possam se expressar, lembrar sua existência, expor suas inquietudes, seus problemas. “Em que outro espaço na televisão brasileira a classe pobre se ver representada? –indaga a professora, para quem ela só é vista através do que existe de pior. “O que ela tem de melhor ninguém mostra.”

Esses programas, é fato, conseguem índices maiores de audiência entre as classes mais pobres. Mas porque, afinal, isso acontece? Quem procura responder é o jornalista Ivan Moraes, enfatizando também a questão da representatividade buscada pelas camadas mais populares. Na sua opinião, eles fazem tanto sucesso menos pela questão da violência, ou mesmo da cobrança por justiça e cidadania, e mais por que as pessoas que vivem nessas comunidades veem neles a oportunidade de observar parte da sua realidade.

-A necessidade não é de ver violência, mas de ver coisas com as quais se identifiquem. É ali onde ele observa o sotaque dele, a rua dele, onde ele ouve falar o nome do seu bairro, afirma.

Realidade nem sempre mostrada em sua totalidade, pois, afinal, como bem lembra Malena, a mídia é um espelho, mas um espelho dos horrores que deforma, aumenta, engorda, torce...”Então os pobres se olham no espelho da mídia e se veem deformados por essa criminalização. Isso gera um impacto muito complicado nos bolsões de pobreza que perdem a fé na sua dignidade.”

Entre as consequências dessas distorções, apontadas por Ivan, estão as dificuldades que muitas pessoas têm de conseguir emprego, e faz com que algumas procurem mentir sobre o endereço em seus currículos, visto que alguns bairros estão estigmatizados pela criminalização.

TV ESPETÁCULO

Do ponto de vista comercial, fica mais fácil entender o problema da violência na mídia quando lembramos que veículos de comunicação, no caso a televisão, são empresas que sobrevivem da audiência dos produtos oferecidos, cuja essência é a imagem. Isto é, os anunciantes, obviamente, procuram divulgar suas mercadorias em programações com maior receptividade junto ao público. “Em nome da audiência se constrói o espetáculo! É um show!”, enfatiza a jornalista Stella Maris, lembrando que os programas policiais são construídos com esse objetivo.

No que se refere ainda a audiência, há um paradoxo muito grande entre as duas classes. Para as pessoas mais afetadas, ou visibilizadas por eles, isto é, aquelas que habitam as camadas mais populares, esses programas passam, de acordo com Ivan, a sensação de conforto, de que existe um parceiro, ou alguém, que está lá lutando por seus direitos.

Enquanto que aqueles telespectadores, que não precisam desses direitos garantidos, que contam com segurança, ou do aparelho policial, ou privada, os veem como humorísticos, que são engraçados muitas vezes por mostrar a desgraça da população. “É muito perigoso quando você olha para o seu companheiro, para o seu vizinho e vê na desgraça dele a sua diversão.”

Segundo a socióloga Maria Eduarda Rocha , na sociedade espetáculo o que é vivido diretamente, passa a ser experimentado através da imagem. “Espetáculo não é sinônimo, nem conjunto de imagem. Espetáculo é um tipo de relação social, em que a vida do sujeito é completamente povoada por imagens, que não são imagens quaisquer; são imagens de mercadorias.”

Esses programas, na sua opinião, estão transformando a violência numa mercadoria extremamente cobiçada, que vende muito, já que o capital não tem pudor. “Não cabe ao capital pensar que tipo de efeito social, ou político, está produzindo. Isso é uma tarefa da sociedade, que tem de receber o apoio do Estado.”

(Imagens: Google)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sathya Sai Baba e Dieter Broers: convergência de opinião
 sobre os efeitos das tempestades solares na consciência

Ana Trajano

É muito bom ouvir o que a ciência tem a dizer, sobretudo com relação a assuntos em que ela tão pouco, ou nada, se pronuncia, por julgar, talvez, de natureza inferior aos seus critérios. É muito bom ouvir o que um líder espiritual tem a dizer e, melhor ainda, contrapor as duas opiniões. Afinal, como já afirmava Einstein, “a ciência sem a religião é aleijada e a religião sem a ciência é cega”. Se tudo é Deus em diferentes estágios, ou formas, não podemos separar um do outro, isto é, a ciência da religião ou o líder espiritual do cientista.

Em janeiro publiquei neste blog a opinião de Sathya Sai Baba sobre 2012, exposta por ele em entrevista concedida a um repórter indiano, em 2010, um ano antes de sua partida. Na oportunidade, Baba falou das tempestades solares e nas consequências das alterações magnéticas sobre a nossa consciência. Mais recentemente, o cientista e biofísico alemão Dieter Broers publicou o livro “Revolução 2012” em que trata do mesmo assunto: os efeitos das tempestades solares sobre a consciência. Impressionante a similaridade entre as duas opiniões, a do cientista e a do líder religioso.

Decidi, então, contrapô-las. Vejamos:

Para Broers, as tempestades solares, previstas para 2012 e 2013, ao alterar os nossos campos eletromagnéticos, afetarão nossa consciência e percepção da realidade, levando-nos a experimentar estados mentais que vão dos desconcertantes aos prazerosos. As alterações no campo magnético da Terra, causadas pelas explosões no Sol, poderão alterar nossa percepção do tempo e da realidade e, dependendo do quanto estejamos ou não preparados, poderão causar experiências místicas, mudanças de consciências, alucinações e, até mesmo, poderes mentais. Muitos, porém, poderão experimentar agressividade e depressão.

A opinião de Sathya Sai Baba: “Quando ocorre uma mudança no magnetismo da Terra, surge também uma mudança consciencial, assim como uma adaptação física à nova vibração.” A nova vibração do Planeta, segundo Sai Baba, vem deixando as pessoas nervosas, depressivas e doentes. “Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência a cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.”
Baba disse isso ao responder a observação do repórter sobre o aumento da maldade no mundo. E aqui está a diferença entre o pensamento do cientista e o do líder espiritual. Broers compara o efeito das tempestades solares sobre a consciência com o mesmo que tomar alguma droga alucinógena muito potente. “Os eventos que o Cosmos guarda para nós em 2012 poderiam comparar-se a receber um copo de suco de laranja onde alguém despejou um pouco de LSD, ou ácido lisérgico sem o nosso conhecimento.” Essas alucinações seriam o sinal de que estaríamos usando partes do nosso cérebro até então não utilizadas.

Baba, entretanto, compara as mudanças à substituição de uma lâmpada de 40w em uma dispensa por outra de 100w. “Não há mais maldade, o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma dispensa, onde guarda suas coisas, iluminada por uma lâmpada de 40w. Se trocar para uma lâmpada de 100w verá muita desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que tinha naquele local. A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. Percebe que hoje as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender como a vida se organiza.”

Estas mudanças, segundo ele, não ocorrem apenas na Terra, mas em todo o Universo. São cíclicas. “Informe-se sobre as tempestades solares (que são tempestades magnéticas) e perceberá que os cientistas estão a par destes assuntos. Ou pergunte a um piloto aviador sobre o deslocamento dos polos magnéticos, já que todos os aeroportos foram obrigados a modificar seus instrumentos nos últimos anos.”

Broers afirma que a importância da alteração dos estados mentais está no fato de que passaríamos, por exemplo, a entender melhor a crise pela qual passa o Planeta, ou seja, passaríamos a vê-la como uma doença, para a qual existe cura e só depende de nós. Para ele, “se cada ser humano na Terra fosse exposto a estes campos eletromagnéticos, uma consciência coletiva nasceria nos seres humanos.”

Segundo Sathya sai Baba, a vibração planetária é afetada e intensificada pela consciência de todos os seres humanos e cada pensamento, cada emoção que desperta para a consciência de Deus, eleva a vibração do Planeta. “Assim que aumentarmos a nossa frequência (estado de consciência) podemos olhar para a escuridão e entender plenamente o que vivemos.”

Otimista com relação aos eventos de 2012, Broers lembra que as condições para a expansão da consciência estão dadas.

Baba vai mais além: “Estamos elevando a nossa consciência como jamais o fizemos. Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada. Informe-se. Desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo. Você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não os deixem assustados por não saber do que se trata.”

Curando doenças

Mas, afinal, no que se baseia Dieter Broers para chegar a essa conclusão?-podemos questionar.

Broers tem o que poderíamos chamar de autoridade para falar sobre o assunto, pois há 30 anos pesquisa os efeitos dos campos eletromagnéticos no cérebro. Em suas pesquisas ele descobriu que o estado de consciência de uma pessoa pode ser alterado quando seu cérebro é exposto a campos eletromagnéticos de certa intensidade. Estados de consciência normais estão diretamente relacionados com campos eletromagnéticos normais. Estados de consciência normais nos permitem manter uma percepção do tempo normal. Em contrapartida, campos magnéticos severamente anormais, ou sua ausência, provocam estados mentais alterados e, em consequência, distorções em nossa percepção do tempo.

Quando afirma que os efeitos das tempestades solares sobre nosso cérebro podem nos ajudar a curar o Planeta, Broers refere-se a um processo de cura, chamado de “terapia de mega-ondas”, que consiste em submeter os pacientes a campos eletromagnéticos, idênticos aos encontrados na natureza, através de dispositivos colocados sobre suas cabeças. Comprovou-se o alto êxito de cura desse método, o que é atribuído ao fato de os pacientes, através das alucinações, entenderem a causa do seu problema. “Os estados mentais alterados são provocados pelos processos neuroquímicos e pela produção de substâncias psicoativas ou alucinógenas. Sob certas condições o cérebro é capaz de produzir o que poderíamos chamar de substâncias ilegais”, explica ele.





terça-feira, 6 de março de 2012

Mas, afinal, o que é Cultura de Paz?

Ana Trajano

Uma dívida para com os leitores deste blog: explicar o conceito de Cultura de Paz. Não que muitos não saibam, mas é sempre bom ter em mente sua definição, e saber um pouco da história desse movimento, que começou a se esboçar em 1989, alguns meses antes da queda do muro de Berlim. Foi naquele ano, durante o Congresso Internacional para a Paz na Mente dos Homens, em Yamassoukro, na Costa do Marfim, que, pela primeira vez, foi expressa a noção de uma cultura de paz.

Tendo à frente a UNESCO, órgão das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a ideia tornou-se um movimento mundial. Em outro evento, o Primeiro Fórum Internacional sobre a Cultura de Paz, realizado em El Salvador, em fevereiro de 1994, o diretor geral da UNESCO, Federico Mayor, lançou o debate internacional sobre o estabelecimento de um direito da paz, esboçado na Declaração de Viena, realizado um ano antes. Em Viena havia sido afirmado que direitos humanos, democracia e desenvolvimento são interdependentes e reforçam-se mutuamente.

Seguindo sua trajetória, em 1995 os Estados-membros da UNESCO decidiram que a organização deveria canalizar todos os esforços e energia em direção à Cultura de Paz. Para este fim foi estabelecido, dentro de uma estrutura de médio prazo (1996-2001), um projeto transdisciplinar chamado “Rumo à Cultura de Paz”. Em resumo, este projeto coloca em atividade, para sua promoção e disseminação, diversos setores organizados da sociedade, entre eles Ongs, associações, rádios comunitárias, líderes religiosos, meios de comunicação, etc. Em sua Resolução 52/15, de 20 de novembro de 1997, a ONU proclama o ano 2000, “Ano Internacional da Cultura de Paz”. E, através da Resolução 53/25, de 10 de novembro de 1998, proclama o período 2001-2010 “Década Internacional para uma Cultura de Paz e não violência para as crianças do mundo.”

Todos os passos já haviam sido dados para algo mais abrangente e definitivo tendo por objetivo a paz no mundo. E em 13 de setembro de 1999, em sua 107 Sessão Plenária, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabelece a Declaração sobre uma Cultura de Paz. Neste documento, ao reiterar sua declaração, através da UNESCO, de que “posto que as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens onde devem erigir-se os baluartes da paz”, a ONU reconhece que “a paz não é apenas ausência de conflitos, mas que também requer um processo positivo, dinâmico e participativo em que se promova o diálogo e se solucionem os conflitos, dentro de um espírito de entendimento e cooperação mútuos.”

Mas, afinal, o que é Cultura de Paz?

Em sua Declaração, a ONU define Cultura de Paz como “um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida”, baseados em, pelo menos, 10 princípios:

a)Respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação;

b)No pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos

c)que são, essencialmente, de jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional;

d)No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais;

e)No compromisso com a solução pacífica dos conflitos;

f)Nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-ambiente para as gerações presentes e futuras;

g)No respeito e promoção do direito ao desenvolvimento;

h)No respeito e fomento a igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens;

i)No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação;

j)Na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações; e animados por uma atmosfera nacional e internacional que favoreça a paz.

Em seu Artigo 3, a Declaração estabelece ainda que “o desenvolvimento pleno de uma Cultura de Paz está integralmente vinculado, entre outros “à promoção da democracia, do desenvolvimento dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e ao respeito e ao seu respectivo respeito e cumprimento; à erradicação da pobreza e do analfabetismo, e à redução das desigualdades entre as nações e dentro delas; à eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher, promovendo sua autonomia e uma representação equitativa em todos os níveis nas tomadas de decisões,” etc.

Por último, a ONU afirma que “desempenham papel-chave na promoção de uma Cultura de Paz os pais, professores, políticos, jornalistas, órgãos e grupos religiosos, intelectuais, os que realizam atividades científicas, filosóficas, criativas e artísticas, os trabalhadores em saúde e de atividades humanitárias, os trabalhadores sociais, os que exercem funções diretivas nos diversos níveis, bem como as organizações não governamentais.”

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carol Queiroz, a você o título de “grande alma”!

Ana Trajano


O caminho da paz passa pelo perdão. O perdão é alimento para a paz, hóstia que lhe consagramos. Perdoar é ficar em paz e dá uma chance para que a paz se estabeleça. Perdoar é arrancar a bandeira branca de dentro de si, das trincheiras do coração, onde as dualidades (amor-ódio, vingança-perdão, etc.) costumam fazer campo de batalha, duelar-se, e exibi-la como vencedor de si mesmo, herói de nossas guerras íntimas. Pois antes de vencer o inimigo externo, é a nós que estamos vencendo.
Em sua famosa oração, São Francisco de Assis não apenas enfatiza estes duelos (“Onde houver ódio que eu leve o amor...”), mas nos faz lembrar que só vencendo-os somos capazes de ser instrumentos de paz, de estabelecer a paz, em princípio dentro de nós. (“Fazei que eu procure mais consolar que ser consolado”...)

Há poucos dias a jornalista Carol Queiroz comoveu o país ao perdoar os assassinos do seu esposo, Bruno Ernesto, em João Pessoa. Assim como Francisco, Carol foi instrumento de paz para uma cidade perplexa com tamanha violência, não apenas perdoando, mas preocupando-se antes em consolar amigos e familiares, do que ser consolada. Em poucas pessoas se vê tanta sensatez e riqueza de espírito, partindo principalmente de alguém tão jovem.

Mas perdoar não é fácil. É, com efeito, o mais difícil dos aprendizados espirituais, que, praticado, nos humaniza, nos torna seres melhores. Perdoar significa transcender: dores insuportáveis, perdas inimagináveis, sentimentos abomináveis, para os quais não estamos, e, às vezes nos parece que jamais estaremos preparados. Perdoar é transcender tudo isso e desfraldar, de dentro do peito ferido, a bandeira da paz e com ela poder cobrir o nosso pior inimigo. Carol Queiroz transcendeu sua dor para de dentro de si colher forças como quem acende luz num mundo em trevas, e pedir: “Meus amigos, continuem a orar, e deixem de lado o rancor e a mágoa. Sejam luz na vida das pessoas! Sejam sempre bons, sem deixar que a maldade os invada! Façam de suas vidas exemplos de fé e bondade!"

Perdoar é estar além do bem e do mal. É pairar sobre ambos e não se identificar, pois todo mau parte da identificação e todo bem da desindentificação. Perdoar exige liberdade do espírito, neutralidade, imparcialidade. A mesma liberdade e desindentificação que fez Jesus olhar para seus algozes e dizer: “Pai, perdoai-lhes! Eles não sabem o que fazem!" O que equivale dizer: “Pai, não são eles; são os seus monstros interiores (sentimentos) com os quais eles estão identificados.”

E tão desindentificado era o Mestre de Nazaré que ensinava: “Se alguém bate de um lado da tua face, oferece-lhe o outro! Quem não está identificado não sente a dor do bofete, e leve é o peso da sua cruz. A desindentificação, neste sentido, serve como meio de desarmar o outro. Quando oferecemos a face, não estamos admitindo a nossa fragilidade; estamos mostrando a nossa superioridade diante do agressor, e com tanta força e com tanto poder que ele não resiste, dá-se por vencido. Pois não é força, ou poder físico; é espiritual!

A vitória dos grandes líderes pacifistas deve-se a este aprendizado. “Se alguém atirar em mim e eu morrer sem um gemido, você poderá dizer ao mundo que eu fui um verdadeiro Mahatma.” Palavras de Gandhi, doze horas antes de ser assassinado, e morrer sem esboçar um gemido. Gandhi não apenas mereceu o título de Mahatma (grande alma, em sânscrito), como, sem levantar uma arma, livrou seu país, a Índia, do jugo dos ingleses.

Velho ditado entre os orientais: “Deus te livre de ti mesmo!” Quanta verdade há nisto, pois identificados com os nossos sentimentos, dependendo deles, podemos ser os nossos piores inimigos. Se conseguirmos nos livrar de nós mesmos, isto é, do que existe de pior em nós, estamos livrando o mundo por consequência. Sim! “Deus te livre de ti mesmo!” Somos nossas piores vítimas, pois o mal que fazemos ao outro, é a nós que estamos fazendo.

“Jogue uma bola na parede e ela voltará para você”, dizia Einstein, buscando a forma mais simples para explicar sua teoria. “Não julgueis e não sereis julgados”, ou “não façais ao outro aquilo que não quereis que façam a ti mesmo”, eram ensinamentos do Mestre de Nazaré. É a lei do retorno! É lei Física! É lei espiritual! É dos poucos campos onde ciência e religião juntam-se numa única verdade.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


A visão de Sathya Sai Baba sobre 2012
                                                Ana Trajano
Sathya Sai Baba


Refleti muito antes de postar este texto, com o temor de que este blog venha a ser confundido, ou relacionado com alguma religião. Vale salientar que o autor das palavras que seguem tinha como ensinamento que “só há uma religião: a religião do amor; só uma casta: a casta da humanidade; só uma linguagem: a linguagem do coração”. Este homem chama-se Sathya Sai Baba e as informações aqui apresentadas são resultado de uma entrevista que concedeu a um repórter indiano, em 2010. Sai Baba partiu no domingo de Páscoa de 2011, deixando não apenas para seu país, a Índia, mas para toda a humanidade, um legado espiritual que jamais será esquecido.

Na análise que segue, Sathya Sai Baba traz outro olhar, outra leitura sobre 2012, diferente das apocalípticas e catastróficas que estamos acostumados a ouvir, e que nos enchem de medo. Sábio, mas meticuloso com as palavras, como sempre foi, Baba nos mostra que o mundo, tal como o conhecemos, ou no qual o transformamos, vai acabar sim! Mas o mundo de velhos paradigmas, de velhos saberes, de velhos conceitos e roupagens que não nos servem mais.

Decidi, enfim, postá-lo porque ele responde perfeitamente à proposta deste blog de instigar a discussão acerca da cultura de paz, pois o estabelecimento da paz passa necessariamente por todas as mudanças que estamos vendo acontecer. Partindo, é óbvio, do pressuposto de que a paz começa em cada um de nós, da necessidade de estarmos abertos às mudanças, e de que conhecendo a nós mesmos, possamos conhecer melhor o mundo no qual vivemos.

A entrevista

P : Ouviu falar de 2012 como um ano em que algo ocorrerá?

Os mais negativos pensam que neste ano o mundo termina, mas isso não é real, neste ano começa a Era de Aquário. (...) Na verdade, este planeta está sempre mudando a sua vibração, e estas mudanças intensificaram-se desde 1898, levando um período de 20 anos de alterações dos polos magnéticos que não ocorriam há milhares de anos.Quando ocorre uma mudança do magnetismo da terra, surge também uma mudança de consciência, assim como uma adaptação física à nova vibração. Estas alterações não acontecem apenas no nosso planeta, mas em todo o universo, como a ciência atual tem comprovado. (...)

Esta alteração magnética se manifesta como um aumento da luz, um aumento da vibração planetária. Para entender mais facilmente esta questão, é preciso saber que a vibração planetária é afetada e intensificada pela consciência de todos os seres humanos. Cada pensamento, cada emoção, cada ser que desperta para a consciência de Deus, eleva a vibração do Planeta. Isto pode parecer um paradoxo, uma vez que vemos muito ódio e miséria ao nosso redor, mas é assim mesmo.

Venho dizendo em mensagens anteriores que cada um escolhe onde colocara sua atenção. Só vê a escuridão aqueles que estão focados no drama, na dor, e na injustiça. Aquele que não consegue ver o avanço espiritual da humanidade, não tem colocado a sua atenção nesse aspecto. Porém, se liberar sua mente do negativo, abrirá um espaço onde sua essência divina pode manifestar-se, e isto certamente trará o foco para o que ocorre de fato neste momento com o planeta e a humanidade .“Estamos elevando a nossa consciência como jamais o fizemos”.

P: Mas como? Não percebe a escuridão?

R: Sim a vejo, mas não me identifico com ela, não a temo. Como posso temer a escuridão se vejo a luz tão claramente? Claro que entendo aqueles que a temem, porque também fiquei parado nesse lugar onde apenas via o mal. E por esta razão sinto amor por tudo.

A escuridão não é uma força que obriga a viver com mais ruindade ou com mais ódio. Não é uma força que se opõe à luz. É ausência da luz. Não é possível invadir a luz com a escuridão, porque não é assim que o principio da luz funciona. O medo, o drama, a injustiça, o ódio, a infelicidade, só existem em estados de penumbra, porque não podemos ver o contexto total da nossa vida. A única forma de ver a partir da luz é por meio da fé. Assim que aumentamos a nossa frequência vibracional (estado de consciência), podemos olhar para a escuridão e entender plenamente o que vivemos.

P: Mas como pode afirmar tudo isso, se no mundo existe cada vez mais maldade?

Não há mais maldade; o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40w. Se trocar para uma lâmpada e 100w, verá desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que havia. Percebeu que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

A nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira. Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não veem uma doença que possa ser diagnosticada. Dirão que é causada pelo estresse.Porém isto não é real. São apenas emoções negativas.
Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem! Leiam um livro! Meditem! Assistam TV! Não imaginem que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária. No dia seguinte seu sono ficará normal, e não sentirá falta de dormir. Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível. Para isto não existe tratamento específico – apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida. Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar. Porém, sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade; assim como o amor. Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.
Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada. Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não os deixem assustados, por não saber do que se trata”.











segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Na incoerência estão os nossos cacos
                                               Ana Trajano

Comecei o ano fazendo uma reflexão: a incoerência é um raio x que nos expõe tal como somos diante da vida. Nada lhe escapa: nenhuma palavra, nenhuma ação, nenhum deslize, pois lá está ela, com o mesmo poder de uma micro explosão radioativa,  a imprimir no filme o que está além da nossa pele, dos nossos ossos!
O problema é: somos incoerentes por natureza, porque por natureza somos fragmentados. Grandes líderes pacifistas indianos, entre eles Mahatma Ghandi e Sathya Sai Baba, não cansaram de repetir uma velha sabedoria dos textos védicos: caráter é a coerência entre pensamento, palavra e ação. Se formos analisar as duas palavras, veremos o quanto este conceito está correto. Caráter é integridade; coerência, unidade! Um ser, ou um sistema íntegro, é um ser ou um sistema inteiro, não fragmentado, em unidade.  Uma rápida análise do que é o mundo, com nossos sistemas políticos, sociais e econômicos, mostra o quanto isto é verdade.
É sem caráter o nosso mundo, porque não pratica a coerência. O exemplo mais marcante está nos nossos políticos: na época de campanha falam uma coisa, expõem seus brilhantes pensamentos, suas promessas salvadoras. Mas o que pregam não é o que pensam e, conforme pensam, agem completamente diferente do que  pregam. Mas lá está ela, a incoerência, a lhes denunciar.
Assim é também com nossos sistemas social e econômico. Prega-se a justiça, a igualdade, a correta distribuição de renda, mas as nossas ações não correspondem às nossas palavras. Nossas organizações internacionais perdem tempo, papel e dinheiro elaborando tratados e programas de paz, os quais inúmeras nações, após assiná-los, se comprometem em cumpri-los, mas na primeira oportunidade lá estão elas fazendo suas guerras.
 Diz Jacob Boehme, um dos papas da Metafísica, em “A Aurora Nascente”, que a queda de Lucifer deu-se  por sua ganância: quis ele brilhar mais do que o filho de Deus. Lúcifer, um dos arcanjos a quem Deus confiou um de seus reinos, foi incoerente com a sua natureza angélica. E a verdade é: continuamos agindo como Lúcifer todos os dias, com nossas incoerências, fragmentados, sem unidade nenhuma.
Instituímos datas para comemorar a paz. Mas alguém lembra o que se comemora no dia 1 de janeiro? O primeiro dia do ano é dedicado à paz. Mas a nossa incoerência nos faz esquecer disso, e passar o primeiro dia do ano tentando nos curar da ressaca do réveillon, isto é, da violência praticada contra nós mesmos, com o álcool que ingerimos como se fosse a água do mais sagrado dos rios, a nos proporcionar paz!

  PAZ NAS REDES Ana Trajano As redes sociais transformaram as nossas vidas, é fato - tanto que já não nos imaginamos sem elas. Porém, també...