quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


A visão de Sathya Sai Baba sobre 2012
                                                Ana Trajano
Sathya Sai Baba


Refleti muito antes de postar este texto, com o temor de que este blog venha a ser confundido, ou relacionado com alguma religião. Vale salientar que o autor das palavras que seguem tinha como ensinamento que “só há uma religião: a religião do amor; só uma casta: a casta da humanidade; só uma linguagem: a linguagem do coração”. Este homem chama-se Sathya Sai Baba e as informações aqui apresentadas são resultado de uma entrevista que concedeu a um repórter indiano, em 2010. Sai Baba partiu no domingo de Páscoa de 2011, deixando não apenas para seu país, a Índia, mas para toda a humanidade, um legado espiritual que jamais será esquecido.

Na análise que segue, Sathya Sai Baba traz outro olhar, outra leitura sobre 2012, diferente das apocalípticas e catastróficas que estamos acostumados a ouvir, e que nos enchem de medo. Sábio, mas meticuloso com as palavras, como sempre foi, Baba nos mostra que o mundo, tal como o conhecemos, ou no qual o transformamos, vai acabar sim! Mas o mundo de velhos paradigmas, de velhos saberes, de velhos conceitos e roupagens que não nos servem mais.

Decidi, enfim, postá-lo porque ele responde perfeitamente à proposta deste blog de instigar a discussão acerca da cultura de paz, pois o estabelecimento da paz passa necessariamente por todas as mudanças que estamos vendo acontecer. Partindo, é óbvio, do pressuposto de que a paz começa em cada um de nós, da necessidade de estarmos abertos às mudanças, e de que conhecendo a nós mesmos, possamos conhecer melhor o mundo no qual vivemos.

A entrevista

P : Ouviu falar de 2012 como um ano em que algo ocorrerá?

Os mais negativos pensam que neste ano o mundo termina, mas isso não é real, neste ano começa a Era de Aquário. (...) Na verdade, este planeta está sempre mudando a sua vibração, e estas mudanças intensificaram-se desde 1898, levando um período de 20 anos de alterações dos polos magnéticos que não ocorriam há milhares de anos.Quando ocorre uma mudança do magnetismo da terra, surge também uma mudança de consciência, assim como uma adaptação física à nova vibração. Estas alterações não acontecem apenas no nosso planeta, mas em todo o universo, como a ciência atual tem comprovado. (...)

Esta alteração magnética se manifesta como um aumento da luz, um aumento da vibração planetária. Para entender mais facilmente esta questão, é preciso saber que a vibração planetária é afetada e intensificada pela consciência de todos os seres humanos. Cada pensamento, cada emoção, cada ser que desperta para a consciência de Deus, eleva a vibração do Planeta. Isto pode parecer um paradoxo, uma vez que vemos muito ódio e miséria ao nosso redor, mas é assim mesmo.

Venho dizendo em mensagens anteriores que cada um escolhe onde colocara sua atenção. Só vê a escuridão aqueles que estão focados no drama, na dor, e na injustiça. Aquele que não consegue ver o avanço espiritual da humanidade, não tem colocado a sua atenção nesse aspecto. Porém, se liberar sua mente do negativo, abrirá um espaço onde sua essência divina pode manifestar-se, e isto certamente trará o foco para o que ocorre de fato neste momento com o planeta e a humanidade .“Estamos elevando a nossa consciência como jamais o fizemos”.

P: Mas como? Não percebe a escuridão?

R: Sim a vejo, mas não me identifico com ela, não a temo. Como posso temer a escuridão se vejo a luz tão claramente? Claro que entendo aqueles que a temem, porque também fiquei parado nesse lugar onde apenas via o mal. E por esta razão sinto amor por tudo.

A escuridão não é uma força que obriga a viver com mais ruindade ou com mais ódio. Não é uma força que se opõe à luz. É ausência da luz. Não é possível invadir a luz com a escuridão, porque não é assim que o principio da luz funciona. O medo, o drama, a injustiça, o ódio, a infelicidade, só existem em estados de penumbra, porque não podemos ver o contexto total da nossa vida. A única forma de ver a partir da luz é por meio da fé. Assim que aumentamos a nossa frequência vibracional (estado de consciência), podemos olhar para a escuridão e entender plenamente o que vivemos.

P: Mas como pode afirmar tudo isso, se no mundo existe cada vez mais maldade?

Não há mais maldade; o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40w. Se trocar para uma lâmpada e 100w, verá desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que havia. Percebeu que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

A nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira. Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não veem uma doença que possa ser diagnosticada. Dirão que é causada pelo estresse.Porém isto não é real. São apenas emoções negativas.
Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem! Leiam um livro! Meditem! Assistam TV! Não imaginem que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária. No dia seguinte seu sono ficará normal, e não sentirá falta de dormir. Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível. Para isto não existe tratamento específico – apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida. Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar. Porém, sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade; assim como o amor. Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.
Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada. Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não os deixem assustados, por não saber do que se trata”.











segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Na incoerência estão os nossos cacos
                                               Ana Trajano

Comecei o ano fazendo uma reflexão: a incoerência é um raio x que nos expõe tal como somos diante da vida. Nada lhe escapa: nenhuma palavra, nenhuma ação, nenhum deslize, pois lá está ela, com o mesmo poder de uma micro explosão radioativa,  a imprimir no filme o que está além da nossa pele, dos nossos ossos!
O problema é: somos incoerentes por natureza, porque por natureza somos fragmentados. Grandes líderes pacifistas indianos, entre eles Mahatma Ghandi e Sathya Sai Baba, não cansaram de repetir uma velha sabedoria dos textos védicos: caráter é a coerência entre pensamento, palavra e ação. Se formos analisar as duas palavras, veremos o quanto este conceito está correto. Caráter é integridade; coerência, unidade! Um ser, ou um sistema íntegro, é um ser ou um sistema inteiro, não fragmentado, em unidade.  Uma rápida análise do que é o mundo, com nossos sistemas políticos, sociais e econômicos, mostra o quanto isto é verdade.
É sem caráter o nosso mundo, porque não pratica a coerência. O exemplo mais marcante está nos nossos políticos: na época de campanha falam uma coisa, expõem seus brilhantes pensamentos, suas promessas salvadoras. Mas o que pregam não é o que pensam e, conforme pensam, agem completamente diferente do que  pregam. Mas lá está ela, a incoerência, a lhes denunciar.
Assim é também com nossos sistemas social e econômico. Prega-se a justiça, a igualdade, a correta distribuição de renda, mas as nossas ações não correspondem às nossas palavras. Nossas organizações internacionais perdem tempo, papel e dinheiro elaborando tratados e programas de paz, os quais inúmeras nações, após assiná-los, se comprometem em cumpri-los, mas na primeira oportunidade lá estão elas fazendo suas guerras.
 Diz Jacob Boehme, um dos papas da Metafísica, em “A Aurora Nascente”, que a queda de Lucifer deu-se  por sua ganância: quis ele brilhar mais do que o filho de Deus. Lúcifer, um dos arcanjos a quem Deus confiou um de seus reinos, foi incoerente com a sua natureza angélica. E a verdade é: continuamos agindo como Lúcifer todos os dias, com nossas incoerências, fragmentados, sem unidade nenhuma.
Instituímos datas para comemorar a paz. Mas alguém lembra o que se comemora no dia 1 de janeiro? O primeiro dia do ano é dedicado à paz. Mas a nossa incoerência nos faz esquecer disso, e passar o primeiro dia do ano tentando nos curar da ressaca do réveillon, isto é, da violência praticada contra nós mesmos, com o álcool que ingerimos como se fosse a água do mais sagrado dos rios, a nos proporcionar paz!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A VIOLÊNCIA NAS NOVELAS


 Quem assiste às novelas da Globo talvez tenha reparado que estão abusando das cenas de violência. São espancamentos, assassinatos, apedrejamentos e, até, enforcamento. Os autores, sem muito escrúpulo, lançam mão desse recurso deprimente que dá garantia de audiência. E as novelas, que consumimos como o feijão indispensável do cardápio, tem provocado indigestão, ânsia de vômito, diante de uma mídia que ao invés de usar seu poder para transformar a realidade, a piora, tornando-a mais cruel.
Banalizada, a violência nas novelas, infelizmente, não vem provocando o impacto que deveria. Essa é a nossa realidade, alguns podem justificar. Injustificável mesmo é esse fatalismo como se, personagens de uma estória, tivéssemos sido jogados em um enredo do qual não pudéssemos sair. Estória e história, eis a diferença. E a história nos tem mostrado que fatalismos não existem. Só são reais até prevalecer a nossa disposição de mudá-los. Um capítulo mais decente da história de nosso país poderia estar sendo escrito, caso os meios de comunicação adotassem a cultura de paz como política.
 É verdade  que ao nos depararmos com a barbárie mostrada nos noticiários chegamos à conclusão que o homem parece regredir a um estágio animalesco pior do que o encontrado nas savanas. Podemos argumentar, com razão, que os veículos de comunicação são reflexos das sociedades. Falta, entretanto, a pergunta complementar, essencial, definitiva: as sociedades, cada vez mais violentas, são reflexos de que, senão das selvas nas quais se transformaram? Ingredientes para a barbárie não lhes faltam: ganância, competividade, injustiças, preferência pelos mais fracos na hora de mostrar suas garras, de praticar suas violências... Na hora, enfim, de esquecer por quem dobram os sinos.

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Por quem os sinos dobram, de John Donne, é, certamente, um dos mais belos poemas da história da literatura. De forte conteúdo metafísico, ele expressa a complexidade desse tecido cósmico no qual tudo e todos convergem para algo único. A diversidade é apenas o reflexo, ou forma de manifestação da unidade. O uno se espalhando no verso; o verso dentro do uno. Como síntese a realidade maior: o Universo. “Um em diversos”. (Rhoden)
“Unidade na diversidade”, não é apenas uma frase bonita, um jargão da moda, mas pura manifestação de consciência cósmica. Quantos, porém, conhecem seu significado? Quantos procuram praticá-lo? Se assim o fizessem estaríamos vivendo em um mundo melhor. Estaríamos respeitando as florestas, rios, mares, pântanos. Espécies não teriam sido extintas, e outras não estariam agora correndo esse risco. Pois quando o homem adquire tal consciência, respeita tudo que compõe o mundo no qual está inserido. Ele sabe que a essência divina da criação é a mesma em qualquer criatura. E jamais indagará por quem dobram os sinos.
   O sentimento de unidade do homem com o Universo, demonstrada por John Donne, coloca-o entre aqueles poucos seres que transcenderam o limitado mundo dos sentidos, das coisas materiais, e se aventuram ao ilimitado mundo do espírito. O poema:

Nenhum homem é uma ilha
Fechado sobre si mesmo
Todo homem é uma parte da Terra
Uma partícula do Universo
Se um torrão é arrastado pelas águas
Para o mar
A Europa fica menor
Como se de um promontório se tratasse
Da casa dos teus amigos
Ou da tua própria
A morte de qualquer homem diminui-me
Porque sou parte da humanidade
Por isso não pergunte por quem
Os sinos dobram:
Eles dobram por ti.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Do mais profundo do meu coração

Um mundo de paz



Quando sou chamada para ir aos colégios falar de paz, ou literatura, as crianças
sempre indagam: “Ana, qual o teu maior sonho”? E eu não vacilo ao responder: “viver em um mundo de paz”. Sim, esse é o meu sonho, viver em um mundo onde possamos ligar o televisor sem medo da imagem do corpo estendido, comprar o jornal sem esperar a notícia chocante, sair às ruas sem temer o assalto, ou a bala perdida.
Enfim, viver em um mundo onde a violência não seja objeto de audiência garantida nos meios de comunicação, lucro certo para as empresas de segurança, nem a responsável pela formação de um poder paralelo, que nos deixa impotentes. Um mundo onde a sociedade civil não seja refém de tantos medos, tantas desgraças. Um mundo onde eu possa ver uma floresta, um lago, sem imaginar que daqui a alguns meses eles possam não existir mais, porque a ganância subtraiu-lhes a existência. Um mundo onde uma criança de cinco anos, ou um velho de oitenta, não tenha que catar no lixo algo que lhe sacie a fome.
Mas esse mundo parece cada dia mais irreal, fruto apenas de um sonho. E quando falo de mundo refiro-me não apenas ao Planeta Terra, essa nave-mãe que sente em seu ventre os horrores da violência humana, mas de algo mais grandioso, cósmico, já que até as estrelas estão ameaçadas de perder sua paz. Estações de turismo no espaço tornar-se-ão realidades em curto espaço de tempo. A notícia ganhou as manchetes e já existem filas de turistas esperando sua vez para poluir as estrelas com seus milhões de dólares.
É isso mesmo. Enquanto a fome, e doenças como a Aids, dizimam milhões de vidas na África, por exemplo, milionários excêntricos aguardam ansiosos para queimar seu dinheiro num rabo de foguete que os leve ao espaço. Sinto pelas estrelas.
Nando Cordel diz em uma de suas mais belas canções que “a paz do mundo começa em mim”. Está certo. A paz começa com nossas pequenas ações, a partir da consciência de que a vida é insustentável sem ela. Madre Teresa de Calcutá dizia que “a paz começa com um sorriso”. Também está certa. A paz começa quando estamos bem com nós mesmos, e dessa forma podemos sorrir para alguém. Eu só posso transmitir paz se estou em paz.





OS ÁRDUOS CAMINHOS DA POESIA INFANTIL



Escrever poesia para crianças, ao contrário do que muitos podem pensar, não é fácil. Mergulhar no universo lúdico dos baixinhos exige no mínimo habilidade com as palavras para cativá-los, atraí-los para a leitura, proporcionar-lhes prazer. O poeta infantil tem de se travestir de palhaço das palavras e buscar o melhor ornamento que chame a atenção. É muito diferente de escrever uma estória onde o enredo, e não a palavra pincelada, é o que constitui esse ornamento.
Quando comecei a fazer poesia infanto-juvenil nem eu imaginava que desse certo, pois sabia o quanto seria difícil desde a conquista do público à penetração no mercado, ou seja, encontrar uma editora que decidisse publicar meu trabalho, apesar da carência existente de poesia infantil.
Basta visitarmos as estantes destinadas à literatura infanto-juvenil, nos sebos e livrarias, para comprovarmos essa realidade. Muito pouco de poesia encontramos. Não por carência de poetas, e bons poetas (estes com certeza existem e em grande quantidade), mas porque o mercado literário brasileiro ainda oferece uma certa resistência a esse gênero.
A desculpa é que não vende, levando à conclusão que criança não gosta de poesia, o que não é verdade. Nas visitas que faço aos colégios percebo exatamente o contrário. Criança gosta de poesia, sim. Desde que, assim como uma boa estória, a encante. Assim como continua encantando a cada um de nós, algum versinho que aprendemos na infância.
Concordo que a criança precisa ser mais estimulada para a leitura de poesia, porque essa, com relação à leitura de outros gêneros, ainda é muito pequena. E esse estímulo deve partir não apenas da escola, mas dos próprios pais. Em uma feira de livros da qual participei presenciei um fato que chamou minha atenção: a criança pegou um livro de poesia, gostou, pediu à mãe que o comprasse, mas ela o fez desistir de sua escolha, alegando que era melhor um outro, uma fábula.
Como disse, criança gosta de poesia, sim, desde que a encante. E para encantá-la não tem necessariamente que possuir rima, sonoridade, ou simplicidade exagerada na construção dos versos. Criança adora algo que a instigue a descobertas, aguce seu raciocínio, faça-lhe rir.
No meu livro “A Sementinha do Bem-me-Quer” (Edições Edificantes) os dois poemas preferidos pela meninada são “Ciência” e “Gulodice”, de construção simples, engraçados, críticos, mas que exigem raciocínio. Transcrevo abaixo esses dois poemas. No primeiro, a criança confunde Platão com Plutão, e no segundo farinha-láctea com via-láctea.




GULODICE

-Mamãe, quero mingau
De via-láctea!

-Não, filhinha!
Você iria regurgitar planetas!




CIÊNCIA

-Mamãe, você sabia
que Platão não é mais planeta?

-Não, filhinha. E Plutão
deixou de ser filósofo?

  PAZ NAS REDES Ana Trajano As redes sociais transformaram as nossas vidas, é fato - tanto que já não nos imaginamos sem elas. Porém, també...